sábado, 18 de março de 2006

Poema "Viagem".


O poema abaixo foi publicado na antologia literária "O Sonho" (1999) graças a um Concurso Nacional de Literatura realizado pela Casa do Novo Autor Editora.

Esse poema foi escrito na época em que estive estudando engenharia elétrica na Unesp (campus de Bauru), entre os anos de 1992 e 1993. Nesse exato momento, foi o meu melhor poema já escrito: profundo e filosófico.

A maioria das pessoas que o leram adoraram a sua mensagem. É, na verdade, um poema que fala sobre a busca que todo ser humano faz algum dia, ou alguma vez já pensou a respeito.


VIAGEM


Eu sonhei uma vez
que olhava pelo vasto campo ao meu redor,
e pensando como atravessá-lo com o mínimo esforço,
transformei-me repentinamente numa gazela
para atravessar o mais rápido possível
os campos, as florestas, as pradarias,
para observar a imensidão do mundo,
as cores de naturezas diferentes,
o nascer e o pôr-do-sol
em diversas partes do globo.
Mas eu me deparei
com um obstáculo que me deixou imobilizado,
apático, sem saber como prosseguir
a minha incrível jornada:
o oceano.


Então eu me transformei
num golfinho,
criatura dócil e inteligente,
para atravessar a imensidão azul
e descobrir a beleza fascinante
que existe no fundo dos oceanos,
ver os seres interessantes,
observar as plantas exóticas,
conhecer e desbravar
o desconhecido mundo aquático.
Mas um acontecimento inesperado
fez-me triste e cabisbaixo,
quando vi o inalcançável aos meus olhos
ao subir a superfície:
o céu.


Olhei para mim
e percebi que havia me transformado
num condor,
a ave capaz de voar
o mais alto possível,
fazendo viagens inimagináveis,
sentindo o cheiro do vento,
sentindo a liberdade correndo nas minhas plumas,
sentindo o calor refrescante do sol,
observando as terras, as planícies, as pradarias,
os mares, os oceanos,
as montanhas, os vales,
enfim, a magnitude do universo.
Mas subitamente eu percebi
que existia uma criatura
capaz de fazer todas essas proezas
sem se transformar
numa gazela
num golfinho
num condor.
Eu reparei que não havia necessidade
da incrível transformação.
Eu reparei que existia uma criatura
capaz de fundir as três mencionadas.
E quando eu iria me transformar
nessa maravilhosa criatura,
a ansiedade de conhecer a amargurante resposta,
ocorreu o que geralmente
acontece nos sonhos:
eu acordei.


Mas ao acordar,
um suor frio percorreu o meu corpo,
e tateando no escuro do quarto
para encontrar o interruptor
e clarear as minhas idéias,
a primeira coisa que meus olhos viram
foi o meu reflexo no espelho.
Percebi, então, a criatura maravilhosa
que eu sempre quis encontrar,
capaz de fazer tudo o que ela quiser,
capaz de realizar os sonhos
que geralmente julgam serem impossíveis,
capaz de construir monumentos e máquinas
para aprimorar o seu destino.
E apesar também
da morte e da destruição
que essa criatura pode causar
e que está causando,
acredito na beleza e na esperança
dessa criatura em construir
um mundo melhor.


E ao pensar em tudo isso,
percebi uma pequena gota de lágrima
escorrendo pelo meu rosto,
simbolizando o entendimento
da incrível viagem
em busca de mim mesmo.

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